Caninos Verdes

Poucas coisas neste mundo são tão irônicas como alguém ser tão apaixonada por Lobos e ao mesmo tempo Vegetariana.

Este primeiro post do blog vem estrear já com uma polêmica: Alimentação.

Mesmo numa realidade onde esperma de cavalo batido com suco de maçã é uma iguaria ainda é difícil falar sobre o vegetarianismo, veganismo e suas vertentes. Fiz a escolha pelo ovolacto há alguns anos (embora acalente o desejo secreto de ascender ao veganismo) e admito que sou uma pessoa feliz, normal e que se orgulha de seus feitos. Nada fantástico, tampouco ilegítimo visto que todos almejamos isso.

E como tudo se resume a experiência & aprendizado gostaria de compartilhar um texto que figura originalmente aqui. A leitura – mesmo que extensa – deve ser feita na íntegra e embora pareça enveredar-se para uma crítica atroz ao vegetarianismo (e suas ramificações) no desenrolar vai se mostrando bastante equilibrada e contundente. Confesso enquanto lia aquela  montanha russa emocional me abatia, mas nada que me fizesse desistir da leitura.

Costumo dizer que os Pilares da Minha Alimentação são:

– Espiritual: já que creio que cada centelha que é violenta e incessantemente apagada existe para um propósito maior do que ser tratado como mera mercadoria. Me sinto direta e incondicionalmente ligada a todas as formas de vida, nutrindo verdadeiro amor por elas.

– Físico: a escolha de um cardápio livre de carnes trouxe-me benefícios imensos, daqueles que se persegue com dietas de 7 dias. Também comprovei o tratamento natural contra transtornos digestivos e a incontestável recuperação do paladar, que se torna muito mais apurado, capaz de reconhecer e lidar com os mais variados produtos.

– Social: apesar da crescente produção de produtos de origem animal, em específico na indústria alimentícia, a grande e mais populosa camada se torna refém de uma cultura que a obriga a manter arroz, feijão e carne mesmo sem ter reais condições financeiras para tal. Com R$ 6,00 (Seis Reais) eu compro duas maçãs fuji, meia dúzia de banana maçã e 8 tomates italianos… ou uma bandeja com 400/500 gramas de Patinho Fatiado.

Não há em mim qualquer pretensão de conduzir pessoas ao vegetarianismo, pois essa “síndrome da salvação” (é como nos sentimos quando descobrimos algo incrível e queremos compartilhar e vivenciar algo em grupo) nunca foi tão forte assim em mim.

Acho que falo sim com propriedade, mantenho meu posicionamento francamente e apenas deixo que cada pessoa busque o melhor para si e no seu tempo, pois eu mesma tentei deixar a carne cerca de uma década e pouco atrás e não consegui.

Boa leitura!

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“Comer não é só uma questão de matar a fome. A decisão sobre que comida colocar no prato tem implicações econômicas, ambientais, éticas, culturais, fisiológicas, filosóficas, históricas, religiosas. Embora a porcentagem de vegetarianos venha se mantendo mais ou menos estável ao longo da história, há um interesse crescente no assunto…”

“Vegetais fazem bem. Uma dieta rica em frutas, legumes e verduras claramente reduz as chances de ter câncer no esôfago, na boca, no estômago, no intestino, no reto, no pulmão, na próstata e na laringe, além de afastar os ataques cardíacos. Frutas e legumes amarelos têm caroteno, que previne câncer no estômago; a soja possui isoflavona, que diminui a incidência de câncer de mama e osteoporose; o alho tem alicina, que fortalece o sistema imunológico; e por aí vai – essa lista poderia ocupar o resto da revista. Em resumo: não está bem claro se a carne faz mal. Muito bem, pelo jeito, não faz. Mas, para ser saudável, o importante é ter uma dieta rica e variada de vegetais. Seja ela vegetariana ou não.”

“Uma questão para os vegans é a vitamina B12, que o corpo não produz e não existe em vegetais. A B12 é fabricada por bactérias e pode ser encontrada nos animais (que comem bactérias ao ciscar ou pastar). Mas suprir as necessidades de B12 é fácil: qualquer biscoito ou cereal com a palavra “fortificado” no rótulo contém a vitamina. Ela também é vendida em cápsulas.”

“… num passado longínquo, nos alimentávamos como chimpanzés. Mas há 2,5 milhões de anos nossa dieta mudou. Começamos a fabricar instrumentos de pedra e as novas armas permitiram que incluíssemos no cardápio a carne de grandes mamíferos. Assim, nossa ingestão de proteína animal aumentou demais. “Sem isso, não teríamos desenvolvido um cérebro grande”, diz Walter. O aumento súbito de proteína na dieta permitiu que nosso corpo investisse mais recursos no sistema nervoso. Hoje, de 30% a 40% de tudo o que comemos vira combustível para fazer o cérebro funcionar. Sem o aumento na ingestão de carne, isso jamais seria possível.

Mas, na mesma época, surgiu um gênero de humanídeos estritamente vegetarianos. Conhecidos como Paranthropus, eles tinham grandes molares, eram barrigudos e não comiam animais de nenhuma espécie, nem insetos. Esses humanos vegetarianos conviviam com os humanos caçadores – há um lago no Quênia onde foram encontradas ossadas das duas espécies, com aproximadamente a mesma idade, a poucos quilômetros de distância.

O Paranthropus se extinguiu há 1,2 milhão de anos, provavelmente porque sua dieta mais restritiva o atrapalhou na competição com nossos ancestrais generalistas. Nossos primos vegetarianos deviam ser muito menos espertos que seus contemporâneos Homo, como atesta o tamanho de seu cérebro. “Eles investiram os recursos do organismo em dentes, os Homo investiram no cérebro”, diz Walter.

Quer dizer que precisamos comer carne para raciocinar? Não. Há 2,5 milhões de anos era assim porque não sabíamos plantar e nossa dieta quase não incluía plantas protéicas. Os únicos vegetais que comíamos eram frutas, folhas e raízes. Hoje, é possível ter uma dieta rica em proteínas sem carne.”

“No final do século XIX surgiu uma novidade na indústria da carne: a esteira rolante. Em vez de depender de um açougueiro habilidoso, o matadouro podia usar vários funcionários pouco especializados, cada um fazendo um pouco do trabalho, enquanto a carcaça se movia sozinha. Uma “linha de desmontagem”. Um dia, um mecânico que vivia em Detroit foi visitar essa linha. Anos depois, esse mecânico admitiria que a indústria do abate foi uma forte inspiração para a sua própria fábrica, batizada em 1903 com seu sobrenome. O nome desse mecânico? Henry Ford.”

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