Terça Cultural

Começo esse artigo ouvindo aquele que representa o ponto alto da minha curiosidade e reviravolta nessa semana.
Já ouvi tantos aspectos negativos sobre ele que hoje só posso afirmar algo: engoli um preconceito, assistirei um filme que não leva lá muito a minha cara e de quebra me permiti respeitar um desconhecido sem correr qualquer risco de endeusá-lo. Por mais que belo e digno que me pareça nessa foto:

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Ontem meu cunhado e eu tivemos um dia cultural. Aceitei facilmente revisitar o Museu da Língua Portuguesa, a Pinacoteca e finalmente (!) conhecer o MASP. Faltou apenas ir ao (ainda inédito para nós) Memorial da Resistência de São Paulo, graças ao pouco tempo que tínhamos para fugir das chuvas ou terminarmos presos em qualquer alagamento.

É sobre isso que este post trata: a nossa aventura através da arte que atravessou séculos para nos encontrar! Vem comigo!

Museu da Língua Portuguesa

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Um edifício anexo a estação, próximo a saída da CPTM, abriga o Museu e seus três andares de exposição, conhecimento, jogos e entretenimento. Tendo resistido até mesmo a um incêndio há várias décadas, ele passou por reformas e restaurações, conta com elevadores e equipe de guias muito prestativos e simpáticos. Deve ser visitado por todas as idades, especialmente  a Melhor delas, que inclusive tinha um grupo representando a emoção e divertimento ao cantar uma bossa e reconhecer um verso.

No primeiro andar estão disponíveis jogos e um verdadeiro aparato de tecnologia apoiado com exposições relacionadas ao nascimento da língua, suas “linguasirmãs”, a evolução da comunicação e mesclagem que embalou nosso “idiomaterno” tão peculiar.

No segundo está a Exposição Temporária “Cazuza Mostra Sua Cara” onde estão expostos retratos que levam trechos de frases e poemas do músico. Depois seguimos para corredores que exibem vídeos com análises, entrevistas (com diversas personalidades do meio, antropologos, filósofos, doutores…) e linha do tempo do Cazuza ressaltando a história e movimentos sociais do país e do mundo. Não posso esquecer de comentar o quanto toda exposição foi feita a despertar os sentidos, nos colocando a caminhar por desníveis leves, por entre cortinas fatiadas, no escuro e até mesmo atendendo um telefone cujo ilustre “desconhecido” grita com inegável euforia. Destaque para os pertences do músico poeta que estão lá, com fios de cabelo dele e tudo.

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Já o terceiro andar, do auditório,  exibe em horários fixos um vídeo narrado pela voz perfeita da Fernanda Montenegro. Difícil acompanhar sem perceber quanto prazer existe numa língua quando nos damos o luxo de prestar atenção, sem fazer nada mais. Ao final do vídeo, somos conduzidos para um local amplo e uma das melhores experiências do MLP começa: no escuro vivenciamos o “planetário das letras”. Sem mais detalhes para não citar nenhuma das belezas escondidas ali.

No saguão está parte da 40ª. Exposição do Salão do Humor de Piracicaba  e onde também existem poemas, versos e obras nas paredes do corredor à direita.

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Pinacoteca

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O passeio logo do outro lado da rua. A arquitetura da Pinacoteca tem ares europeus e suas instalações são de uma beleza impecável, levando qualquer pessoa comum a se ater aos mínimos detalhes durante as primeiras visitas (eu ainda tenho o deslumbramento!). Também possui um grupo de profissionais mega educados e bastante prestativos. Fica ao lado do Jardim da Luz que por si só já é um passeio válido para qualquer um que aprecie a natureza e bons cuidados por parte do homem. O prédio que nasceu em 1873 como Museu de São Paulo jamais ganhou o revestimento ou a cúpula previstos, se tornou ginásio, liceu e só ganhou o título de Pinacoteca a partir de 1905.

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E agora começa o meu tormento: não sei descrever exatamente o quê, onde ou por quê. Acreditem! Sou mulher e não me esforço muito para lutar contra a falta de noção espacial que me acomete desde sempre. Acho importante relatar que o prédio possui três pavimentos e acesso a portadores de necessidades especiais, mas se você não precisar ande pelas escadas que são grandes, cansativas e nem por isso menos espetaculares.

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Na Pinacoteca encontramos pinturas, esculturas, desenhos, gravuras, fotografias, objetos de arte decorativa, móveis, esboços e tantas outras formas de arte que impressiona. Outro ponto que achei muito favorável é a interação que o núcleo realiza com os visitantes, permitindo que possamos opinar livremente através de escritos, gravando mensagem de áudio e incentiva a visitação a cursos, palestras e ainda oferece programas de apoio a arte. Também possui visitas monitoradas que encantarão baixinhos de todas as idades desfazendo qualquer impressão de que a arte se restringe ao caderno espiral ou uma folha A4.

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MASP

É… foi a minha primeira vez no MASP, acredita? E infelizmente não foi tão bom quanto eu pensei que seria. E mesmo tendo feito uma pausa deliciosa num fastfood, meu humor se alterou quando começou uma polêmica por conta do meu guarda-chuva. Ele não poderia ficar registrado na chapelaria (as etiquetas acabaram!) e tampouco circular comigo enquanto caminhava pelas dependências. Até entendo que eles não são obrigados a acreditar que não tenho motivos bater ou arranhar qualquer obra com ele, mas TODOS (sim, sem exceção) os funcionários foram tão grosseiros e antipáticos como poucas vezes vi. E uma nuvem negra e trovejante pairou acima da minha cabeça desprotegida: ano passado perdi três guarda-chuvas e não conseguia esquecer durante a exposição que o meu estava jogado numa escada caracol e que qualquer um poderia levá-lo se assim o quisesse (*).

Apesar do meu drama particular, como era de se esperar, não fiquei insensível diante de obras com mais de 500 anos, trabalhos famosos em várias mídias e de pintores altamente renomados como o Rafael. E tudo isso isso estava há menos de um metro de distância dos meus olhos! É impossível observar algumas delas e conceber como dentro de um período inferior a um ano conseguiram reproduzir elementos humanos, naturais, míticos e religiosos com tamanha nitidez e riqueza.

É claro que numa das sessões eu já estava afetada e pouco fiz além de traçar uma linha reta e andar, mas foi lá também que conheci a estátua de Diana (cuja réplica em miniatura já povoa minha mente) e os dois guerreiros chineses (ahhh que armaduras espetaculares!) que foram moldados e nasceram sob o olhar perfeito e talentoso que apenas mãos capazes de grandes feitos são capazes de realizar.

Aqui estão fotos e impressões minhas, por isso acho importante citar que os detalhes mais interessantes e dignos de admiração que chamariam a SUA atenção te aguardam lá, nesses e em tantos outros lugares onde só precisa levar uma única coisa: o olhar.

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Espero voltar lá com mais tempo, e de preferência tendo o convite e a companhia inesquecível do amado Matheus Stoppa, tão dedicado, empolgado, doce e inteligente que quase dá nojo. =)

Sobre dias, horários e valores:
1) Cada um dos sites linkados no começo do post contém informações para esclarecimentos;
2) Em 14 de Janeiro de 2014, pagamos apenas a visita a Pinacoteca;
3) É aconselhável reservar o dia inteiro para ir em cada um dos ambientes, pra evitar o corre corre que sempre prejudica o aproveitamento do passeio;
4) Lembrando que no MASP você não pode tirar foto nem pelo celular!

(*) Nota de esclarecimento:
Preciso informar que não se trata de mesquinharia minha pois ele custou mais de 20 reais (maior que o valor da entrada normal para o MASP!) já que daqueles paraguaios que quebram ao abrir eu realmente já estou farta.
>.<“